Vilania Espelhada
Em um ataque súbito de autoconsciência, me peguei refletindo sobre coisas que não me eram cabíveis antes. Sem moralismo disfarçado ou flagelo no estilo seppuku para tentar recompor alguma honra; apenas um homem nos seus trinta e poucos anos, caminhando no horário de almoço remoendo, ao mesmo tempo que cria novos problemas, que se passam na cabeça de quem tem essa idade. Sendo herói na própria mente, salvando todos, agradando ao mundo e no mudar de pensamento, enxergando que o mundo não pode ser agradado e ficando com raiva daqueles seres imaginários que ousam perturbar a paz terrena. Veja bem, criamos novos vilões todos os dias dentro de nossa mais alta consciência de bondade universal ao martelar pessoas que supostamente poderiam discordar da ideia de um mundo excelente...
Claro, sou contra qualquer tipo de opressão, concordo, em partes, com nosso amado personagem L de Death Note. Porém percebo todos os dias que Lelouch Lamperouge seria necessário na temperança do mundo, ao mesmo tempo que sinto que a opressão dos que nascem com algum sinal divino pode fazer coisas horríveis no planeta terra, como pensado por Raskolnikov na obra Crime e Castigo, de Dostoievski.
Tudo em torno de personas e quando encaixo na realidade, me torno o próprio vilão, mesmo não sendo, os pensamentos se encaixam sempre. Claro que não só comigo, no Brasil temos mais de 200 milhões de vilões fingindo o heroísmo. Não posso dizer que deveríamos parar, só que a sociedade funciona assim, mirando arquétipos de Marvel e DC comics e acertando em The Boys, seja lá quem escreveu a HQ deles, pois lendo os primeiros 7, vi que não eram para mim. Em suma, eu te pergunto, leitor sem preguiça de ler um qualquer em um blog de internet, qual sua Vilania Espelhada?
Você quer consertar o mundo impondo suas próprias ideias forçadas extirpando quem levanta a voz contra seu ideal (independente do lado), ou matando a fome no mundo comendo Burger King e passeando em um shopping para comprar uma jaqueta que será empilhada junto das demais em seu guarda-roupa?
Que tal isso: Mande ao inferno todos que tiverem algum vício ou que simplesmente não frequentam a igreja todos os dias ou simplesmente não frequentam a sua igreja. Soa meio ridículo quando se reflete, né?
Não existe filosofia sem crise de consciência, é crido, assim como essa crise não existe sem a filosofia, autoalimentação da própria ideia gerada antes nela mesma; tem um estudo da física sobre isso, certo?
E quando o mundo deixou de ser consciente? Nunca! Sempre teve a mesma volumetria de más intenções por sapiens adultos, basta ler Yuval Noah Harari para descobrir ou presumir, ao menos, que a potencialização da maldade humana e a percepção da própria maldade surge com o aumento populacional, a redução da violência pesa muito mais no fato de haver probabilidades maiores de ser descoberto do que pela bondade humana.
Há alguma esperança?
Claro que há, para aqueles que pensam como eu, copiar o modelo que Cristo é desde a eternidade anterior para a eternidade futura é o caminho. Mesmo aqueles que não creem sabem que o modelo ideal é Ele e não adianta fingir que não. Sem julgamentos, sem pedras, apenas uma reflexão que quis fazer aqui.
Em meio a minha Vilania Espelhada resolvi ler a Bíblia para evitar ser desagradável. Ainda que inconscientemente o Livro Sagrado pode nos fazer bem.
Chega, falei demais, enfim... Até a próxima, eu mesmo!
Comentários
Postar um comentário